segunda-feira, 26 de março de 2012

Protegendo o Inimigo


Protegendo o Inimigo traz tudo que se espera de um filme de ação. O problema é que ele fica nisso, é apenas mais um. O roteiro é previsível, usando o clichê do “bad guy” que muda de ideia e acaba se tornando o herói. Papel que coube a Denzel Washington, que por incrível que pareça teve uma atuação fraca.
O filme foi feito para Ryan Reynolds e fica a impressão de que Washington foi mais importante como chamariz para atrair os fãs fiéis – como foi meu caso – que para a construção da obra em si.
Sem contar que apesar de Tony Scott não estar de modo nenhum envolvido na produção, Daniel Espinoza montou seu longa-metragem completamente inspirado no diretor. Primeiramente pelo próprio Denzel, que é a estrela de praticamente todas as suas produções, mas também pela fotografia, movimentação de câmera e iluminação, que são claramente inspiradas no estilo de Scott.
Embora o roteiro seja um clichê, ele até funciona bem em certos momentos. As cenas de ação são bem desenvolvidas, conseguindo gerar a eletricidade e o clima de tensão necessários.
Os personagens, se não são fracos, também não chegam a impressionar. Denzel Washington faz seu papel de sempre: o cara solitário e experiente. Apesar de ser craque no estilo, Washington parece estar com preguiça de atuar, o que tira um pouco seu brilho. 
Já Reynolds faz o típico mocinho novato de filmes de ação. Corajoso e honesto, Matt é daqueles que acreditam em seu dever e duvidam do mal, reluta em acreditar que há um traidor ou que o governo possa estar sendo criminoso. Essas características são bem ilustradas em algumas cenas, mostrando seu desconforto ao ver Frost ser torturado por agentes da CIA ou hesitando para atirar em um guarda inocente, ainda que para se defender.
Resumindo, Protegendo o Inimigo acerta em alguns pontos e falha em outros. É raso, mas não deixa de ser uma boa peça de entretenimento. A presença dos astros garantirá uma boa bilheteria, mas o filme dificilmente será lembrado no futuro.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Raciocínio Criativo na Publicidade


Apesar do título bastante específico, o livro de Stalimir Vieira é válido para todos querem aperfeiçoar a arte da criatividade.
Escrito de maneira fácil, o autor desmistifica o senso comum de que ser criativo é praticamente similar a ter um super poder. Ao contrário: para ser criativo basta se exercitar.
No livro, a criatividade nada mais é que um exercício. É necessário trabalhar a mente a pensar diferente, criar o hábito de ir na contramão, de fazer perguntas que fujam do comum e não ser passivo a tudo que é despejado diariamente sobre todos nós.
Com exemplos de cases reais, Vieira nos mostra que a solução criativa é tão simples quanto a “solução comum”, basta você estar treinado para conseguir enxergá-la.
O foco do livro é a criação publicitária, mas o assunto é perfeitamente adaptável a outras áreas do conhecimento: a técnica da criatividade é a mesma. Como o próprio autor cita nas páginas do livro, a Folha de São Paulo convida-o periodicamente a realizar palestras aos jornalistas para ensiná-los a como criar títulos que atrairão mais leitores.
Contudo, talvez pela intenção de criar um “beabá da criatividade”, o autor é simples demais, explicando tudo tão detalhadamente que não deixa margem para interpretações. Stalimir Viira mastiga tanto o assunto que até acaba com o sabor, chegando muitas vezes a se tornar extremamente repetitivo, explicando o mesmo assunto de diversas maneiras diferentes, o que não há necessidade.
Raciocínio Criativo na Publicidade é rápido, fácil e traz um conhecimento bacana. Mesmo o autor não tendo feito nenhuma descoberta incrível e trazendo um assunto bastante clichê, a leitura é válida.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Herói Perdido


Agora eu entendo o porquê de JK Rowling não escrever outros livros depois de Harry Potter. É impossível não comparar. No caso de “O Herói Perdido” isso fica ainda mais evidente por se tratar realmente de uma continuação de Percy Jackson.
Uma coisa que me incomoda em Rick Riordan é seu estilo de escrita com um quê de humor: o autor acha que há necessidade de meter uma piada engraçadona pra qualquer personagem em qualquer situação. E não é assim que funciona. Há personagens que não combinam com piadas e pronto.
Mas apesar disso, gosto bastante da saga Percy Jackson (um dia escrevo sobre ela!) e gostei bastante do primeiro volume dessa série “Os Heróis do Olimpo”.
Acho a escrita de Riordan fácil e gostosa. Ele consegue te prender nas páginas do livro, te contar a história sem te sobrecarregar de informações e sem te deixar cansado. Você quer chegar ao final do livro, apesar de, na maioria, o final ser bastante previsível.
Para quem gostou da primeira parte da história dos Olimpianos, vai se identificar com esta continuação. Há bastante ação, mistério, romance (sempre, né?!) e Rick Riordan traz o lado romano da mitologia caminhando juntamente com o grego.
Vamos aguardar os demais volumes da série. Espero que mantenha a mesma qualidade de Percy Jackson e desta primeira edição. Espero também que, apesar de trazer os personagens da saga anterior, eles continuem em seu papel secundário e que, Percy Jackson, depois que aparecer, não se torne mais uma vez o grande herói da história.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres


Ao contrário de todas as minhas expectativas, Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um filme muito bom. Arriscaria até a considerá-lo melhor que a versão sueca. Longe de ser um filme perfeito, é uma adaptação muito boa da obra homônima de Stieg Larsson.
Não gosto muito dos atores escolhidos para representar os personagens. Por alguma razão obscura, não vou com a cara do Daniel Craig, mas deixando este sentimento de lado, não considero que ele tenha conseguido encarnar o verdadeiro espírito de Mikael Blomkvist. Aliás, acho que nem Craig e nem Michael Nyqvist alcançaram a verdadeira essência do personagem criado por Larsson.
O mesmo cabe à Lisbeth Salander. Gostei da interpretação de Rooney Mara, apesar de achar que Noomi Rapace conseguiu fazer um trabalho muitíssimo melhor. Mas, assim como no caso de Super Blomkvist, nenhuma das duas conseguiu realmente captar o verdadeiro “eu” da Hacker. Faltam mais algumas gotas de antissociabilidade para atingir o grau perfeito. Este elo perdido da personagem também considero que seja um pouco culpa do roteiro. Quiseram fazer uma Salander antissocial mas carismática e que vendesse o filme. Uma combinação não muito boa.
Outro ponto que me deixou bastante possessa com o roteiro foi a infeliz mania de Hollywood de romantizar qualquer história que envolva um homem e uma mulher. Apesar de no livro existir uma certa paixãozinha de Lisbeth por Blomkvist, não é um amor de fato. Não há cenas de conchinha na cama e nem Lisbeth abrindo o coração. Ela confia nele, sim. Ela gosta dele, sim. Mas ela é Lisbeth Salander. Ponto.
O filme é longo, são quase 2h40 que passa razoavelmente rápido. O filme chega a ser arrastado em algumas partes e cheio de detalhes, do mesmo modo que o livro. Há um final um pouco diferente do que o do livro, mas não achei que tenha sido nada que prejudicou a adaptação. De fato, gostei da maneira como solucionaram o mistério.
Vale à ida ao cinema. Não tanto quanto vale a leitura dos livros, mas acho que nenhuma adaptação realmente valha. Agora só nos resta aguardar os outros remakes da trilogia. Será que as versões hollywoodiana irão superar a sueca?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Mundo Pós-aniversário


Conheci Lionel Shriver ao ler Precisamos falar sobre o Kevin e, assim como no romance anterior, a história é densa, inteligente e carregada de fragmentos psicológicos do personagem principal.
Em O Mundo Pós-aniversário, a autora traça duas vidas paralelas, alternadas em capítulos, sobre a história de Irina McGovern. Em uma vida, a protagonista abandona sua vida de casada e completamente segura para se entregar a uma paixão arrebatadora com um jogador de sinuca. Na outra, apesar das faíscas pelo jogador, Irina não joga tudo para o alto e continua a viver com o homem que há dez anos faz parte de sua vida.
O livro é uma excelente reflexão das consequências de nossas escolhas e de que não vivemos em um mundo perfeito. Independente do caminho que decidamos seguir, sempre haverá coisas boas e coisas ruins e o que fará a diferença é a nossa maneira de lidar com cada obstáculo.  Há ainda uma das frases mais marcantes do livro: “o momento é tudo”, que mostra que, muitas vezes, temos que nos render aos desejos e fazer o que é certo. Se este momento passar, não haverá segunda chance e sua vida será completamente diferente se você optar pela estrada da direita ou da esquerda. E o que é pior: não há uma placa sinalizando qual é o caminho certo a seguir.
Lionel Shriver cria uma história em que nos mostra que nunca estamos satisfeitos com nossas escolhas e que, por melhor que seja a nossa vida, sempre buscamos entender o “e se tivéssemos feito diferente?”.
A leitura não é fácil e não é um livro para ser devorado em uma sentada, entretanto você consegue se colocar no lugar da personagem e quer ler cada vez mais e mais.
É sensacional a maneira que a autora constrói o paradoxo da dúvida, trabalhando os medos, vontades, ansiedades, alegrias e tristezas que os seres humanos são capazes de sentir. A reflexão criada nas páginas de O Mundo Pós-aniversário são bárbaras e, no final, o que importa é entender – e aceitar – que tudo que fizemos foi em busca da nossa felicidade e que problemas são comuns, o que não é comum é a maneira como vamos encará-los e transformá-los em mais um aprendizado.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Entrevista com o Vampiro


ATENÇÃO: Esta resenha contém spoilers. Caso não queira conhecer partes da história, não continue a leitura.


Comecei lendo o segundo livro das Crônicas Vampirescas, O Vampiro Lestat, para só depois ler Entrevista com o Vampiro. Não sei se isso foi melhor ou pior, só sei que foi significativo para que eu não gostasse da biografia de Louis.
O ritmo de Entrevista com o Vampiro é bem melhor que em Lestat, é mais rápido e fácil, entretanto como o livro é escrito basicamente em diálogos chega a ficar confuso em determinados momentos. Louis não é de longe um personagem tão charmoso quanto Lestat, é tão inseguro e fraco que chega a ser chato.
Mas o maior pecado de Anne Rice foi se perder na história. Parece que quando escreveu Entrevista com o Vampiro não tinha imaginado nada além para as Crônicas Vampirescas. Entendo que o primeiro livro é narrado por Louis e o segundo pelo próprio Lestat, entretanto o personagem de Lestat é completamente diferente nos livros. Não é uma questão de ponto de vista do narrador, mas sim de vampiros diferentes, com personalidades diferentes e até histórias diferentes. O próprio Armand também caminha de um extremo ao outro nos livros e, em momento algum, em Entrevista com o Vampiro, a autora menciona que Armand era apenas um adolescente quando foi transformado em vampiro. Lembro que quando li O Vampiro Lestat não tinha entendido porque no filme do Entrevista com o Vampiro, tinham colocado o Antonio Banderas que combinava com o personagem proposto. Contudo, quando li o próprio livro que originou o filme, percebi que o Antonio Banderas fazia mais sentido como o Armand de Louis, mas jamais como o Armand de Lestat.
Pequenos detalhes passam despercebidos quando as sagas são grandes. Mas um “detalhe” é uma coisa, uma “história” é completamente diferente. Há vampiros que supostamente foram feitos pelo Lestat neste primeiro volume que não são sequer mencionados no livro seguinte. Quando Anne Rice decide fazer um segundo volume para a saga sustentando a história de Lestat, tinha que pelo menos manter a base original de Entrevista com o Vampiro.
Todavia, caso achem desnecessário aprofundar em personagens secundários e aceitem que não tem problema em não mencioná-los na biografia de Lestat, a história da morte de Claudia no Teatro dos Vampiro poderia ao menos ser meramente semelhante. No O Vampiro Lestat, Rice menciona os fatos superficialmente, enquanto a história é contada no primeiro livro, mas o “superficial” tinha que, pelo menos, encaixar na história completa, o que definitivamente não acontece.
Em livros – bons livros, pelo menos – coisas não são colocadas aleatoriamente, tudo tem um por que. Se, para finalizar o primeiro volume, Anne Rice deu a entender que o jornalista ia procurar Lestat, no livro seguinte ele tinha que ter ido procurar Lestat. O Lestat poderia tê-lo matado e encerrar a participação do personagem por aí, mas não simplesmente esquecê-lo.
Esquecer parece-me que é o ponto forte na transição entre os dois volumes: onde foi o ódio do Louis pelo Lestat? Como ele perdoa, diz sentir saudades e vira amigo de Lestat sendo que passou O Entrevista com o Vampiro inteiro odiando-o?
Não li os demais volumes da série. Não sei o que Anne Rice colocou nos outros oito livros, só sei que me decepcionei com a autora e com a história. Não vejo como qualquer uma destas coisas possa ser proposital. Repito: não são versões diferentes, são historias e pessoas completamente distintas. Só espero que quando ler O Vampiro Armand não descubra que ele tem uma terceira personalidade que virá de encontro com tudo que ela publicou antes.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Stephen King


Stephen King adora escrever sobre escritores. Se o personagem principal não é propriamente o escritor, provavelmente alguém bem próximo a ele será. Talvez escrever histórias de terror sobre escritores seja extremamente mais fácil, pois afinal não há nada mais “estranho” do que um cara que a profissão é contar histórias, não é?
Mas independente de como o protagonista resolve ganhar a vida, os milhões de livros de King e os milhares de filmes adaptados de seus livros são, em sua grande maioria, muito bons.
Não estou nem perto – aliás estou muito longe – de ler pelo menos a metade das obras do autor, mas com exceção de Casa Negra, não há realmente um dos livros que eu já tenha lido que seja chato e maçante. 
O Talismã, escrito em parceria com Peter Straub, por exemplo, conta a história de um menino de 12 anos numa jornada pelos Estados Unidos para salvar a vida da sua mãe que tem câncer. Apesar das mais de 500 páginas do livro, em letras minúsculas que só Stephen King consegue, o livro é para ser devorado. Você consegue entrar na pele do personagem, torcer por ele ou sentir medo com ele, além de sofrer quando coisas acontecem.
Outra obra fantástica, mas que foge do estilo terror, é À Espera de um Milagre, que também tem uma das melhores adaptações que eu já vi para o cinema. Com exceção de Harry Potter, este livro foi o que mais chorei no final de tanto que King consegue nos transportar para dentro da história. No mesmo gênero, o conto Um Sonho de Liberdade originou um filme excelente que merece ser visto.
No gênero terror psicológico, Jogo Perigoso conta a história de uma mulher algemada na cama, no escuro, sozinha em casa, com o marido morto no chão e todas as peças que nossa mente nos prega em situações assim. É simplesmente genial e deve ser leitura obrigatória.
E, claro, um dos mais conhecidos: O Iluminado. Que, para o cinema, trouxe como protagonista Jack Nicholson. Um dos livros mais medonhos que já li e que, caso eu estivesse sozinha em casa, eu não chegava nem perto.
Entretanto, 1408, filme adaptado de um conto de Stephen King que é “apenas bacana”, mas que gerou um filme terrível. O qual, eu definitivamente não recomendo.
São mais de 60 livros que originaram mais de 40 filmes. It, Celular, Conta Comigo, A Janela Secreta, Carrie, Christine, Cemitério Maldito, Love – A História de Lindsey, Insônia, O Nevoeiro, a série Torre Negra... enfim, uma infinidade de histórias e milhões de páginas que devem ser lidas por fãs de ficção – ou por qualquer um. Afinal, um cara com a pachorra de escrever essa quantidade de livros, ter mais da metade adaptado para cinema e séries e ainda ser conhecido em mais de 40 países realmente merece nosso respeito.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Vampiro Lestat

ATENÇÃO: Esta resenha contém Spoilers. Caso não queira conhecer passagens do livro, não continue a leitura.

O Vampiro Lestat é o segundo volume das Crônicas Vampirescas de Anne Rice. Não posso dizer se é melhor ou pior que o seu percussor, Entrevista com Vampiro, porque ainda não o li. É o próximo livro da minha lista.
O livro é a história de Lestat, um homem transformado em vampiro no século XVIII e que após viver sua vida, resolve dormir por alguns anos, acordando no ano de 1984 e decidindo se tornar um rockstar. Nas trilhas do sucesso, o vampiro escreve sua biografia para revelar ao mundo toda a verdade por trás dos vampiros.
A obra de Anne Rice é fantástica. A história é extremamente bem escrita. Te prende do começo ao fim e pertence aqueles gêneros de livros que fazem com que você queira ler mais e mais e não tenha a mínima ideia de que horas é, o que importa é devorá-lo.
Entretanto, talvez este até seja o charme do livro, Lestat é um personagem escroto. Um personagem completamente sem limites, que não tem ideia das consequências e apesar de dizer “que quer amor”, só se importa com ele mesmo.
Exemplo: quando Gabrielle pede para ele não transformar o Nicki que não vai dar certo, o que ele faz? Transforma-o. Afinal é o que ele quer e é o que importa. Quando Marius conta a história Daqueles que Devem Ser Conservados e pede para ele jamais mencionar para alguém tudo que foi dito, o que ele faz? Não apenas conta, como escreve um livro falando tudo o que sabe. Quando Marius fale pra ele não transformar ninguém que não tenha aproveitado uma vida completa que isto pode causar grandes danos, o que ele faz? Transforma uma menina de seis anos, Claudia, em um vampiro. Entre tantas outras situações que só servem para demonstrar seu egoísmo.
Mas o pior de tudo é que ele sempre consegue o que quer sem grandes prejuízos no final. Alguém sempre aparece para livrar a cara dele e ninguém jamais o repreende. O máximo que falam é “Ah, Lestat, você é impossível”, mas sem intenção de dar bronca, apenas querem mostrar sua falta de limite como se fosse algo legal.
Apesar da escrotidão em 90% dos casos, Lestat é um vampiro apaixonante. Você consegue se apaixonar pela sua história e, com algumas ressalvas óbvias, até pela sua maneira de viver. A sua paixão pela “vida” e sua mania de contestar tudo que lhe é falado são características que não passam despercebidas. 
O Vampiro Lestat é sedutor, é elegante, é inteligente, é charmoso e é a personificação do que um bom vampiro deve ser. O livro de Anne Rice merece ser lido e apreciado e Lestat, como todo personagem que preze, consegue que o amamos e o odiamos na mesma proporção.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Ler...

Existem certos livros que quando você escolhe lê-los, realmente não espera que ele vá surpreendê-lo. Por outro lado, também existem aqueles que você tem certeza que será a melhor leitura do ano e o livro não passa de um grande desapontamento.
Da mesma maneira, autores que não estão na lista dos mais vendidos e muito menos fazem parte dos clássicos, também rendem boas surpresas e boas leituras, muitas vezes melhores do que aqueles que encabeçam o top 20 das livrarias.
Para os livros serem bons precisam de uma boa história, uma boa escrita e serem capazes de te fazer lê-los sem notar que o tempo está passando e que já são sete horas da manhã, você não dormiu e a única coisa que importa é conhecer o final da história. 
Ler não é apenas ser transportado para outros lugares e todos os clichês que campanhas pró-leitura pregam por aí. Ler é conhecer, se divertir, imaginar. É sofrer com um personagem e torcer por outro. É reler cinco vezes o mesmo parágrafo para ter certeza que o autor matou seu personagem favorito e se indignar quando percebe que é realmente verdade. Ler vai além do que podemos escrever sobre. Gostar de ler é uma escolha. É mais do que um hábito, é um dom. E, infelizmente, parece que muitos poucos foram contemplados com este poder.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

1822


Para quem gosta de História do Brasil e não está mais no Ensino Médio e nem optou pela carreira de historiador, 1822 é uma leitura extremamente válida.
O livro, espécie de continuação da obra 1808, também de Laurentino Gomes, conta o momento histórico posterior à fuga de Dom João VI, a pressão pela independência brasileira e as dificuldades de Dom Pedro II em governar um “país livre”.
Escrito de forma de fácil compreensão e leitura, o livro ajuda a conhecer um pouco mais do que os professores ensinaram quando, em sala de aula, contaram sobre o Grito do Ipiranga e a célebre expressão “Independência ou Morte!”.
Laurentino Gomes fez um excelente trabalho de pesquisa jornalística e reuniu depoimentos e documentos históricos que ajudam a dar consistência ao livro. Por se tratar de um livro reportagem, todas as fontes são citadas o que ajuda à quem se interessar pelo assunto ir em busca de abordagens mais profundas.
Com uma linguagem muito mais acessível do que os tradicionais livros de história, 1822 ajuda a desvendar mais um capítulo da conturbada história brasileira. E, conhecer a história do próprio país, mesmo que através de best sellers é fundamental para qualquer brasileiro entender o porquê da situação atual. Afinal, o clichê não poderia ser mais verdadeiro: a história sempre se repete.

sábado, 21 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim


Não conheço a história original de Hergé, mas lembro-me de assistir aos episódios de Aventuras de Tintim na Cultura quando era mais nova. Quando soube que ia sair um filme agora em 2012, confesso que fiquei com um pouco de medo quando vi que era o Spielberg que ia dirigir. Explicando: quando grandes diretores, com suas características já formadas, adaptam histórias existentes, os resultados nem sempre ficam muito bons. Foi o que aconteceu com Tintim: muito Steven Spielberg, pouco As Aventuras de Tintim.
Não tenho absolutamente nada a falar em relação à qualidade visual do filme. Animação impecável. Entretanto há ação demais, coisas sem noção demais, piadas desnecessárias demais. Fizeram um filme só para crianças e esqueceram os fãs antigos da série. 
Sem mencionar que são quase duas horas de duração que se arrastam. A história não vai pra frente, enrola, enrola, enrola e, pra falar a verdade, não chega a lugar algum.
Espero que uma continuação não seja feita. Prefiro manter na minha mente As Aventuras de Tintim da década de 1990 que apesar da tecnologia de menos, a história era demais.

sábado, 12 de novembro de 2011

A comunicação e seu papel social


Comunicação é algo primordial nos dias de hoje. Se comunicar é uma necessidade básica humana e está ligada diretamente à vida em sociedade. Se não soubermos nos comunicarmos de maneira adequada, o prejuízo pode ser imenso.
Um dos problemas da comunicação é que ao mesmo tempo em que ela é supervalorizada em alguns meios, em outros é vista como algo frívolo e sem importância. Para muitos, ainda hoje em dia, “se comunicar bem” é sinônimo de “falar bem”. Não que ambos não estejam correlacionados, mas o simples ato de “saber falar” não indica que você sabe se comunicar. Para a comunicação ser realmente efetiva é fundamental sim saber como a mensagem será transmitida mas, mais importante ainda, é saber o que transmitir nesta mensagem. Caso o “comunicador” não saiba, o estrago pode ser muito maior do que simplesmente ficar quieto.
A mídia hoje, até pelo papel central da comunicação em nossa sociedade, possui um valor inestimável na comunicação de massa. Não importa se o veículo é impresso, radiofônico, televisivo ou a internet, o poder que os meios detêm fazem toda a diferença no dia a dia das pessoas.
Apesar da difusão da internet nos últimos anos, que acompanhou – e permitiu – a globalização, as mídias de maior alcance continuam sendo a televisão e o rádio. Mas do mesmo jeito que o rádio provocou uma revolução nos anos 1920, a televisão provocou outra nos anos 1950, a internet está provocando a sua agora no século XXI.
A internet aproxima pessoas que estão distantes fisicamente e mudou complementarmente a maneira de fazer comunicação. Hoje, qualquer um pode usar a internet para falar o que quiser, quando quiser e para quem quiser ouvir. As consequências? Nem sempre tão positivas assim.
Mas o público, ao mesmo tempo em que é global, é único. Podemos escolher receber pelo Twitter, no celular, onde estivermos, a notícia que mais interessar. Não é mais necessário comprar um jornal e ser obrigado a levar pra casa o caderno de esporte, internacional, política, cultura... podemos assinar apenas o que gostamos, sem sairmos do lugar e sem ter que manusearmos o papel jornal. As palavras-chaves hoje são segmentação e facilidade.
Mas toda essa facilidade tem um preço. Hoje tudo é muito rápido. Se não formos velozes, não conseguimos acompanhar as mudanças. E essa velocidade acaba trazendo alguns transtornos. Não há mais tempo – e espaço – para apurações detalhadas, que exijam tempo e dedicação e isso acaba gerando certas falhas que se disseminam rápido demais e sem muita chance de correção.
O comunicador precisa entender o processo. Precisa conhecer como a comunicação era feita e como ela é feita atualmente. Precisa conhecer seu público e o melhor jeito de passar sua mensagem, sendo este não apenas o conteúdo, mas também o meio que será usado. Se eu quero falar com o analfabeto para divulgar maneiras de voltar a estudar, adianta utilizar o jornal impresso? Eu jamais atingirei meu público e não terei uma comunicação efetiva.
Para termos sucesso, precisamos nos adaptar e evoluir com a sociedade. Precisamos dar o que o público quer, mas sem jamais deixar a criatividade de lado. A criatividade é fundamental para darmos ao público o que ele não sabe que quer, mas precisa. Porque o papel do comunicador hoje não é só vender, mas é educar. A mídia não deve apenas jogar milhões de informações por segundo, ela deve dar condições às pessoas de entenderem e interpretarem estas informações que são dadas. Comunicação sem o seu papel social não é comunicação. Comunicação eficaz é transformar a sociedade em que vivemos. Você faz a sua parte?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Política Para Não Ser Idiota


Quando entrei na faculdade de jornalismo, há quase cinco anos, eu era outra pessoa. Não posso negar que sempre fui chata, mas antes, minha chatice não tinha muita sustentação. Hoje minha chatice está maior – juntamente com meu ceticismo – porém, agora, há um certo fundamento e eu sei que com ela posso até fazer diferença.
Quando entrei na faculdade também não ligava a mínima para política. Política para mim era apenas a política partidária. Hoje vejo que o partidarismo é apenas uma vertente e talvez não seja nem a mais importante. Política é tudo. Tudo que está ligado ao nosso dia a dia. Pratica-se política no trabalho, em casa, na rua e até nos relacionamentos.
O livro de Mário Sérgio Cortella e Renato Janine Ribeiro discute bem este ponto de o que é e onde se faz política. Escrito em forma de diálogo entre os autores, a leitura é tranquila, rápida e prazerosa.
Não posso dar “cinco estrelas” para o livro por não concordar com grande parte dele, alguns conceitos e ideias presentes não me agradam e não enxergo as coisas daquela maneira. Mas dou um grande crédito à obra pela iniciativa e tentativa dos autores de tentar falar de política de uma maneira simples e agradável.
O único problema disso tudo é que, pela maneira como o livro é escrito, dá-se a entender que o público é justamente “eu” há cinco anos. E o “eu” há cinco anos jamais iria parar na livraria, olhar para capa de um livro intitulado “Política para não ser idiota” e ter a mínima vontade de folheá-lo, quem dirá comprá-lo para ler.
Como eu disse e repito: admiro a intenção dos autores ao construir este livro e são estas pequenas intenções que podem fazer a diferença futuramente. Mas adianta apenas escrevermos um livro que não vai alcançar ninguém? Enquanto política não deixar de ser vista apenas como política partidária, como algo sujo e corrupto e não for tratada como algo sério, não há como mudar muita coisa. Qual seria a solução então? Juntar todos os “eus passados” numa faculdade de jornalismo e fazê-los entender a importância da política ou juntar todos os “eus presentes” e tentar fazer a diferença? Eu acredito que a base para melhorarmos nosso país e o mundo é a educação. A partir da educação vamos criar cidadãos conscientes politizados que farão a diferença. Eu acredito em um jornalismo utópico capaz de mudar o mundo.

sábado, 23 de abril de 2011

Água para Elefantes


Já li este livro algumas vezes. Agora, com a aproximação do filme [ que me amedronta! ], me deu vontade de ler mais uma vez.
Água para Elefantes é, talvez, um dos melhores livros que já li. Adoro a história e considero a narrativa simples da autora, um ótimo jeito de contar a história.
A proposta do livro é bacana. Faz uma reflexão do personagem na velhice, além de contar uma historinha de amor, sem deixar de lado o dia a dia dos circos durante a Grande Depressão Americana. Mas, o mais legal disso tudo, é que o livro não cai no clichê e nem numa história-de-amor-babaca-água-com-açúcar.
A história flui fácil, tornando a leitura simples e prazerosa. O livro conta a história de Jacob Jakowski, misturando sua história presente – numa casa de repouso – com seus anos passados – vividos no Circo Irmãos Benzini – O Maior Espetáculo da Terra. O enredo prende o leitor do começo ao fim e dá para passar tantos momentos de raiva quanto dar risadas e torcer pelo personagem.
Sara Gruen tem uma escrita ao mesmo ágil e detalhista o que, para mim, é fundamental para construção de um livro. Eu recomendo que este livro seja lido e apreciado em toda a sua magnitude, independente do filme.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

60 Anos Depois - Do Outro Lado do Campo de Centeio


Quando soube do lançamento deste livro, imaginei que seria mais uma obra tosca, que não tem realmente nada a ver. Porém, depois de lê-lo, acredito que a melhor definição seria “um livro chato de um autor escroto querendo pegar carona na fama de outro”.
O livro começa bem. O Sr. C. tem algumas características que podem defini-lo como o Holden Caulfield, talvez uma versão só um pouco mais madura. Mas, com o passar das páginas, a leitura se torna chata, cansativa, entediante e o personagem principal um velho tosco completamente diferente do personagem original.
Há algumas partes do livro, em que há uma inserção do Salinger refletindo sobre o Holden. E tudo que eu tenho a dizer sobre estas partes é “o que diabos isso significou?”.
Conforme a leitura vai fluindo e o personagem se alterando, o que dá a entender é que Fredrik Colting pensou em fazer um livro sobre reflexões da velhice, mas tinha medo de não vender nenhum exemplar. Então teve a ideia “genial” de usar o Apanhador no Campo de Centeio como gancho.
Infelizmente, parece que esta ideia deu certo. Mas, mais infelizmente ainda, o autor não soube aproveitar a sua chance e, além de estragar o Holden Caufield, ainda não soube desenvolver sua história de maneira satisfatória.
Prefiro autores que pelo menos tentam criar seus próprios personagens e não estes que se apropriam de personagens alheios. E podem falar o que quiser, mas, para mim, Fredrik Colting é uma pessoa que busca a fama e o dinheiro, desprezando completamente a qualidade de um bom livro.